terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O livro das sinestesias

O livro das sinestesias

Quando não escutas o que te dizem para dizer
Quando não estão te vendo para te ver
Quando faço de tua pele um emblema
Quando passo a mão em teus lábios
Tua boca é tremula
Quando levantas a bandeira do cheiro da esperança
Quando dormes em berço esplêndido
Quando ao relento tua voz macia me toca e encanta
Choro eu na lama
Corro para os braços dos teus lençóis
Quero mais e mais querer
Quero mais é que você seja mais você
Quero da tempestade teu copo d'água
Quando na tua veia corro na madrugada
Quando o sol em mim nasce em forma de poesia
Quando escuto teus gritos e sussurros na esquina
Com quanto dormes na beleza de tua pele alva
Todos os sentidos de ser minha pequenina.

Brás Cubas.


O livro das sinestesias


Papoulas Verdes

Deixem seu cheiro entrar pela porta da sala
Deixem que as Papoulas Verdes estejam na sala
Venham ver o jardim de Papoulas
Venham com pompas
Venham a nado
Venham na proa

O navio aponta
O navio que traz as Papoulas Verdes
Seu perfume me dão água na boca
Seu verde me faz o olho arder
Seu insumo faz meu coração bater

Papoula Verde
Lá do Cabo Verde?


Brás Cubas 

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