O livro das sinestesias
Sedução
Eu de ti quero o gozo da tua felicidade
Pois na minha liberdade voa somente a poesia
Eu de ti quero beijos que já beijei
Amores que já amei
O passado que se encerra
Eu de ti quero a esperança de acreditar
No amor por amar
Eu em ti não quero me equilibrar
Eu sou o desequilíbrio da fúria do mar
Eu sou o mar em fúria
E também a própria cura do filosofar
Eu que nem me esforço
Vou e volto
Para te ninar
Eu de ti aceito o teu desejo
Te olhar é inspiração
Você me seduziu sem falar
Não me peça que eu te explique o mistério da vida
Sou filho do mar
Habito no próprio mistério
Prefiro não me fazer de espelho
Não vendo barato exemplar
Eu sou poesia e mar
Eu sei balançar
Eu de ti quero os abraços sinceros
Os que nem sempre recebi no caminho
Eu de ti quero aprender a vontade
Não conheço a liberdade
Mas já prendi a voar
Eu de ti já bebi o amor platônico
Quero a carne em festa para a alma clarificar
Eu quero consumar um fato dado
Eu que da razão busquei a loucura
Encontrei na tua pela a alvura
Ah sim de se admirar
Veja bem meu amigo
Já dormi contigo
A minha mente não posso negar
O poder do meu sentimento
Faz de ti mais do que objeto do meu desejo
Faz de ti parte do meu poetizar
Não me venha com medo
O medo não sabe amar
Se queres um tempo
Leia o livro dos lamentos
Todos os amores encontrarás lá
Eu meu amigo já aprendi a me amar
Quero contigo compartilhar risos fartos
Epopeias de poetas
E notas de Flaubert
Eu quero de ti a leitura
O teu tempo é seu
O tempo é ateu
Ele sabe o que faz
Eu que não digo que não venhas
Também não digo que atraque no meu poetizar
Eu de ti quero a vida como preterida
Eu da vida levo o que quero
Às vezes me rebelo quando quero falar
Eu do amor sei pouco
Conheci o desgosto
Mas soube o que é amar
Eu de ti quero sentir no mato verde
A borboleta avoar
Eu do beijo que não te dei
Quero neles me afogar
Eu de ti já não quero o esperado
Nem cartas, nem o enfadonho não
Eu de ti não quero o silêncio
Já desbravei o momento por lá
Eu de ti quero tudo e nada
Quero beber a cachaça
Teu céu revirar
Eu de te quero lembranças com gosto de mel
Eu não sou teu pincel
Faz tua obra para eu admirar
Eu do sonho cai na realidade
Já matei a saudade quando teu nome evoquei
Quando em minha mente vil guarda-sol contei
Só para te cortejar
Não sei se a sinestesia da sedução apetece
Só espero que meus versos reverberem
Na mente dos amantes
Dos que se encontram
Dos que não se encontram
Dos que duvidam
Dos que acreditam
Dos que nos elucidam
A questão do mar
Eu meu amigo nem sempre concordarei contigo só por te amar.
Brás Cubas
A manhã
A manhã chega nascendo e rompendo
Assim, desvirginando a madrugada
Assim mesmo no dia nublado
Deixa a lua de lado
Mesmo quando o sol se esconde
A manhã é minha amiga
Ela me beija de uma forma cintilante
Ela me toma nos braços inda que eu durma
A manhã de sol me cega os olhos
Me queima a pele que nem é negra e nem é branca
A manha se alevanta como quem quer despertar
Desperta o mundo
No sabor da ilusão
Do Canadá ao Japão
A manhã ri de mim
Dos meus ares de mal humor
Tudo para ela é fervor
Quando conversa com os meus sonhos
A manhã me passa a mão na face
Alumia meus apaches
E me diz que há vida la fora
A manhã me convida para dançar uma valsa
Eu que sambo de graça
Prefiro uma bossa cantar
Nem valsa, nem samba
Escrevo para a manhã poetizar.
Brás Cubas.
Sedução
Eu de ti quero o gozo da tua felicidade
Pois na minha liberdade voa somente a poesia
Eu de ti quero beijos que já beijei
Amores que já amei
O passado que se encerra
Eu de ti quero a esperança de acreditar
No amor por amar
Eu em ti não quero me equilibrar
Eu sou o desequilíbrio da fúria do mar
Eu sou o mar em fúria
E também a própria cura do filosofar
Eu que nem me esforço
Vou e volto
Para te ninar
Eu de ti aceito o teu desejo
Te olhar é inspiração
Você me seduziu sem falar
Não me peça que eu te explique o mistério da vida
Sou filho do mar
Habito no próprio mistério
Prefiro não me fazer de espelho
Não vendo barato exemplar
Eu sou poesia e mar
Eu sei balançar
Eu de ti quero os abraços sinceros
Os que nem sempre recebi no caminho
Eu de ti quero aprender a vontade
Não conheço a liberdade
Mas já prendi a voar
Eu de ti já bebi o amor platônico
Quero a carne em festa para a alma clarificar
Eu quero consumar um fato dado
Eu que da razão busquei a loucura
Encontrei na tua pela a alvura
Ah sim de se admirar
Veja bem meu amigo
Já dormi contigo
A minha mente não posso negar
O poder do meu sentimento
Faz de ti mais do que objeto do meu desejo
Faz de ti parte do meu poetizar
Não me venha com medo
O medo não sabe amar
Se queres um tempo
Leia o livro dos lamentos
Todos os amores encontrarás lá
Eu meu amigo já aprendi a me amar
Quero contigo compartilhar risos fartos
Epopeias de poetas
E notas de Flaubert
Eu quero de ti a leitura
O teu tempo é seu
O tempo é ateu
Ele sabe o que faz
Eu que não digo que não venhas
Também não digo que atraque no meu poetizar
Eu de ti quero a vida como preterida
Eu da vida levo o que quero
Às vezes me rebelo quando quero falar
Eu do amor sei pouco
Conheci o desgosto
Mas soube o que é amar
Eu de ti quero sentir no mato verde
A borboleta avoar
Eu do beijo que não te dei
Quero neles me afogar
Eu de ti já não quero o esperado
Nem cartas, nem o enfadonho não
Eu de ti não quero o silêncio
Já desbravei o momento por lá
Eu de ti quero tudo e nada
Quero beber a cachaça
Teu céu revirar
Eu de te quero lembranças com gosto de mel
Eu não sou teu pincel
Faz tua obra para eu admirar
Eu do sonho cai na realidade
Já matei a saudade quando teu nome evoquei
Quando em minha mente vil guarda-sol contei
Só para te cortejar
Não sei se a sinestesia da sedução apetece
Só espero que meus versos reverberem
Na mente dos amantes
Dos que se encontram
Dos que não se encontram
Dos que duvidam
Dos que acreditam
Dos que nos elucidam
A questão do mar
Eu meu amigo nem sempre concordarei contigo só por te amar.
Brás Cubas
A manhã
A manhã chega nascendo e rompendo
Assim, desvirginando a madrugada
Assim mesmo no dia nublado
Deixa a lua de lado
Mesmo quando o sol se esconde
A manhã é minha amiga
Ela me beija de uma forma cintilante
Ela me toma nos braços inda que eu durma
A manhã de sol me cega os olhos
Me queima a pele que nem é negra e nem é branca
A manha se alevanta como quem quer despertar
Desperta o mundo
No sabor da ilusão
Do Canadá ao Japão
A manhã ri de mim
Dos meus ares de mal humor
Tudo para ela é fervor
Quando conversa com os meus sonhos
A manhã me passa a mão na face
Alumia meus apaches
E me diz que há vida la fora
A manhã me convida para dançar uma valsa
Eu que sambo de graça
Prefiro uma bossa cantar
Nem valsa, nem samba
Escrevo para a manhã poetizar.
Brás Cubas.
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