sexta-feira, 13 de junho de 2014

Panaceia hermenêutica

Panaceia hermenêutica

Eu que deveras soprar os ventos vis
Nas horas lentas dos arpões mil
Eu que meandro os cantos dos olhos
Eu que me acanho com o canto d'alma
Eu que buscava o afago dos olhos teus
No mangue seco ou no breu da tua língua mãe
Eu que por horas cerquei o pensamento meu
Eu que viajei parado no tempo
Eu que do farfalhar entoei teus encantos
Nos cantos do teu quarto
No canto do argo
Ah! Bateu na porta da saudade nossa o peito estufado do homem e sua síncope
Bateu na onda do mar brejeiro o beijo e a luta de cada peito por um direito
Direito maior de ser feliz
Eu que vejo as divisas das fronteiras de assuntos corriqueiros
Eu que vejo no teu leito o meu país
Eu que deveras se pudera cantar varonil
Eu que vejo o hino em cada rosto do barril
Eu que vejo bobagens e a mocidade sem pavio
Eu que perdi minha língua na tua quando olhei o céu anil
Eu que luto com os dentes cerrados por um novo vocábulo
Eu que não tenho país
Já moro no teu peito
E durmo no aconchego
Quando acordo estrangeiro nesse meu país.

Brás Cubas.

Nenhum comentário: