segunda-feira, 23 de junho de 2014

Solidão permissiva

Solidão permissiva

Já te sinto como o vento soprando os anos na face
Já assumo eu mesmo o meu romantismo desmedido
Talvez fostes tu ó vida que trouxera meu ego ferido
Passando horas a fio desfio enlaces
Outrora será a solidão permissiva
Será astuta amiga das horas do relógio do tempo
Eu que por horas me imagino em par
Me encontro só
Comigo e contigo
Salvaguardando a lembrança
É bom estar só com a música preferida
É bom estar só com as memórias preteridas
Toda obrigação é um porre, a não ser a minha labuta de me fazer sorrir
É hora de assumir que a felicidade é uma ponte
É hora de ferver a água do banho
É tempo de partilhar consigo mesmo o destino
É a rédia na mão da vida arredia
É o palhaço no circo
É o mundo que gira
Sou eu sozinho e um monte de gente que vinha
Passava eu por mais essa poesia
Como um arrebate de revéis que trouxe a alegria minha
Sou eu que trunco o emblema da vida
É o poeta e sua alforria divina
De versos ácidos
Aplausos diacrônicos e sarcásticos
É a solidão de dois em um
Eu que passo pela vida
Já te indaguei menina vida
Quem passa comigo
No tempo de um trago
No cálice um gole do vinho
Eu que da garganta fiz o céu da tua boca aberto
Fiz muito quando nesse instante de gozo te vi em mim renascer sorrindo
Corre a água para o rio
Corre a vida no verso vadio
Talvez eu esteja só
Talvez eu encontre um barco cheio de livros.

Brás Cubas.

Josef Hoflehner


Nenhum comentário: