quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Contra-movimento
Subiu a peia pela goela do veio d'água
eram todos astronautas cacófatos e hiatos daquele rio
solapando o estômago cheio de ares
eram pias batismais cheias de glória e sem ácidos líquidos
cozinhando no enxofre da choldra pútrida
Falanges de feromônios num incesto de iconoclastas
de todas as misturadas plebes e castas dilaceradas nos pulmões
faltava água para a ribeirinha filantropia
e o ordenado ia num caos simbiótico tal qual a canoa tomba
Filetaram as sodras dos equinócios e dos relinchantes equinos
Parvo do alto de uma torre isolada
Um espécime de pura estirpe urge em gritos de leniência
Ah! Era A Gaia morta, era a passagem da Ciência
Fomos nós rostos uníssonos de uma vontade do riso frouxo
Subimos eu, nós e o manco a ladeira íngreme
Taciturnos abjetos de todos e de tudo e ainda torpemente sublimes
É que o contra-movimento vive do ácaro
escondido dentro de um calhamaço
entrevado no leito da vida.
Brás Cubas.
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