quinta-feira, 20 de novembro de 2014

De todo tipo de sorte

De todo tipo de sorte desde que flamulou e desejou àquela coisa, coisa essa que dardejou na ideia
coisa essa sabida de todos que era uma sabatina altivante e atroz de nós
trançados e alcovitados por arvoredos estreitos e guerrilheiros das trompas de Falópio e de Eustáquio
trocaram beijos de Herodes no tabernáculo das paixões do séquito indelével e da plausível rebordosa

um só furdunço de ditosas autoflagelações e dos sermões das Carmelitas Descalças
Jesuítas chamados Jesuinos e genuínos Babuínos num circunlóquio propriamente dito de quem se deixa jogar na Ciranda das Palavras Mascaradas pela sublingual trapaça dos axiomas soltos nas bocas e nas dentinas
Era de uma clarividência da providência divina e assim dizia qualquer deus ao seu povo que nada vos faltaria, nem a carne, nem a lama do porco

essa matilha sabida que era latia quando podia e dizia: - por deus! Que Chuva era àquela que vinha
a eles e a tudo convinha de forma que a beberagem frutificava a libidinosidade

Rá! Alguém riu alto no reino! E vociferou contra os astros e as vacas e o gado e contra àquela matilha de gente em fila Indiana
num prurido de Castro Alves se auto indagava onde deus estava naquela puída lapela dos chapéus dos homens pobres e os odres puseram-se a correr para cozer o sangue e coser a pele dos porcos.

Brás Cubas.

The Bacchanal of the Andrians. Titian




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