segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O espelho do Ego

ronronou a garganta num eco profundo
o estridente berro em sua máxima de lodo
o espelho do Ego olhara a cena ao longe
não se aproximara deste brutamontes

idoneamente a farpa da língua salivava aquela maçã do rosto
e o Pomo de Adão resignado da visão posta
restringia-se a aproveitar a baba que escorria daquela boca claustrofóbica
e impunha o seu gorgomilo a deglutir as lenhas em brasa daquela passagem das horas

a língua era passada de forma a tomar toda a íngreme penugem corpórea
um labirinto que estava de pompa à pompa sendo desenhado em cada saliência das ancas
até o hilo contrair-se em leves ondas de gozo extremado
o cérebro irrigava toda a mãe natureza do corpo

até que o filantropo lhe passou a língua molhada no rosto
assim experimentando o sabor da estrutura óssea do crânio
e uma mordiscada nos lábios desse seu amo foi o desfecho
abriram o biombo do desejo do outro

soltaram as feras e as bestas e os animais mais ferozes
esses animais humanos e os não humanos vociferavam
e exalavam odores dum prazer cotidiano
era o Ego dos cegos envolvidos no mesmo manto.

Brás Cubas.

Oleg Korolev.





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