sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Uma bruxa



Há quem diga das bruxas só a solidão eterna
[...]

Assim as são elas as bruxas velhas bruxas velhas
do ópio bebem o sangue das Ovelhas e dos Bezerros desmamados

são bruxas e mais bruxas já queimadas pela Santa Inquisição

foram-se embora na alcova
junta-lo-amos todas as folhas  lêvedas
alçadas pela boca de Joana D'Arc

Ei-lo:(- frivolidade em hedonismo puro )

A verdade escrita na nota de vinte Reais [...] Deus! Deus! Deus! Meu, o seu, o nosso Deus seja louvado!

Ei-lo talhado na cruz posto por nós mesmos seus capatazes

assim fomos capazes ainda que carrascos
criar a moral

Somos nem bem nem mal

nem anjo ou demônio
carregamos sonhos
e isto de nada tem a ver com o banal
tudo está no humano
é isso 
Cacete lhes digo que isto sim é imortal

Flamulam suas, as vossas e as nossas bandeiras na imensidão


Flores trépidas e fagueiras

são oferecidas à boca do cão
Satanás sorriu no canto dos lábios de onde escorriam um mel

Era a beleza de uma estranheza exposta

natureza morta
empalhada na caça dos cascais

Ai de Deus e das morais!

Ai! Tu que evocastes e criastes o vosso demônio
Nos deixastes com o chicote da ribeira para trás

Responde Deus Indigno dos teus ancestrais


Fizeste tu e a ti mesmo teu próprio Narciso

E agora meganhas os cala bocas dos animais.

Brás Cubas.


Marc Lamey‎ 







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