quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Os Mandaques

nem de mim sei eu nem os Mandaques com seus bodoques
de mim nem o Ateu sabe e nem a que Deus a porta me abre
já ando falando com falanges de anjos torpes e inteiriços
de olhos de pedra de cor de verde esmeralda

e com o sambaqui do limo das pedras
e com o grito das favelas sigo no visgo

sou eu sim
sou eu sim
sou eu sim
sim
sim
sozinho no caminho assim

nem de mim sabem os maltrapilhos do circo da vida
donde outrora eu soubera pular de trampolim em trampolim
nem de mim sei eu os prédios de Niemeyer e Gaudi
nem de mim sei eu a lua quando brilha

e o sol quando se anuncia me alumia a alma amiga

nem de mim sei eu as línguas faladas por povos celestes
e o jegue do agreste abriu um sorriso girassol para mim
e eu que faço de mim joguete na mão do destino

melhor eu que vos digo que todo dia
a poesia me bate a porta toda manhã
sim
sim

Brás Cubas.

Un dipinto di Giovanni Battista Caracciolo Noli me tangere 1620 circa Museo Civico  Prato


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