terça-feira, 5 de maio de 2015

Insólito




Sigo insólito na pedreira amiga
Sou a nau da onda ribeirinha
Sigo o imbróglio nas mãos da peregrina
Sigo inglório na prece da menina
Sigo o latido dos arautos e da vitrina
Sigo as ondas sonoras da guitarra espanhola
A sanha da minha ira
E eu iria num salto cruzar a ponte
E eu ia voar alto pelo horizonte

Sigo pelas sílabas fálicas por minha boca fabricadas
Sigo pelos versos de cada esquina
Sigo no esvoaçado céu cintilante e nublado
Sigo Pero Vaz de Caminha
Sigo com sinhás e perolazinhas
Sigo na coxia do teatro
O sinal do último ato
Tristão e Isolda viriam e ririam

Sigo tão somente passos passados
Verso e prosa da minha mente canina
Sigo o vidrilho
O estribilho da voz pequenininha
Sigo mesmo assim vadio assim de mim mesmo achado e perdido

Sigo em retas sem curvas
Em ruas vazias
O silêncio é meu amigo
Em horas desvalidas
E transo minha mente em uma sadia coxalgia
Nevralgia d'alma minha
E eu que de repente me sigo
Minha própria sombra amiga.

Brás Cubas.







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