quinta-feira, 18 de junho de 2015

Poemas sem nome




Por um incólume momento não ouvi nada na sala
os quadrantes aos montes desenhavam
os lampiões acesos
o luar garimpeiro
o lugar

Por um incauto falei alto
estava estrábico o arauto
um soneto pendia do altar

Pela sombra do biombo
máscara da humanidade
luzes acesas por toda a cidade

E mais nada

Por um momento solene
calei a sirene
chamei à mesa a rotina
estavam meus dentes a mastigar

Era um momento de tudo ou de nada
tudo parecia primata
e sem ideia alguma
um montante de gente a caminhar

Um homem gritava disparates quebrando o silêncio
o sonho parecia um movimento
de pluma que voa sem se libertar

Por um momento olhei o horizonte
Titubeei por palavras de homens
Não sabia nadar
Mas me veio o fôlego

E em tudo ateei fogo
imagem
sombra
biombo
era a vida querendo brincar.

Brás Cubas.


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