Para-raios,
Paraquedas,
Em quedas livres,
Porém outrossim
para parir poesia
é necessário cuspir sangue
é necessário meter a mão no mangue
É necessario cruzar rizonetos com decassílabos
É necessário furtar as palavras do amanhã
Ser visionário e equilibrar os pés no chão
Seja qual for a bandeira que flâmula na tua pátria
É necessario desejar o desejo alheio
Entregar-se na couraça
E escancarar a glote
Vender na feira o caixote
Ser perdigueiro e ler Don Quijote
Rimar rico
Assintomaticamente ser profeta e vidente
É necessário estar livre dos versos livres
É necessário pedir à Dieu
É necessário a Wissenchaft
É necessário o peremptório
É necessário o Agnus dei
o pendejo
o bugiardo
E o grito do periclitante espolón.
Antonio Marcos Abreu de Arruda.
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