Ele que buscara a assimetria encontrou no biconvexo sua união d'alma. Ele que buscara a bifurcação, encontrou na confluência da ciência e d'alma as águas calmas da calmaria. Ele que sonhara acordado voltou a dormir sob a tutela da alienação repentina. Ele que trabalhara todo dia pelo pão do dia-dia pediu pra caminhar e que os seus não olhassem pra trás.
Despedida
Despiu-se dos farrapos poucos
Despediu-se dos amigos poucos
Arrendou a verba pouca
E partiu
Foi-se sertão adentro
Buscou alento na seca
Bebeu água com o bode
Rimou rima pobre
Pediu a Deus que a sorte não fosse embora
Despiu-se dos males
Viajou ao longe
Parecia que caminhava nas nuvens a caminho de Marte
Era lunático
O passado nas costas
Parecia traumático
Ele fora embora
Largara a crosta
No caminho não havia como pescar lagosta
Era a terra que virava farinha do sertão
O estômago corroía
O bucho dizia
Volta meu irmão
Despediu-se da casa de barro
Era a fotografia do passado
No caminho encontrou aves de rapina
Com elas dividiu a carniça
E a caminhar continuou
Era o homem sem berço
Era o sertanejo buscando água
O cacto já não dava
Caia de sua boca o último farelo de pão
O sertanejo não voltara
Para ele o passado era nada
E o futuro era a terra seca
Um dia plantará seu destino
Ainda que ache apenas um riacho pequenino
Ele é o homem em construção
Segue com a viola
Dela saem trovas
O coelho da cartola
A mágica da insistência
Belo dia
Um rio aparece
Ele bebe e bebe
Mata a sede
Faz do rio sua sede
Cria uma ovelha
E faz na viola
Canções
E faz de si
Seu próprio pastor
Sem nenhum tambor
Também é o seu próprio rebanho
Ele partiu para se achar
Ele partiu para não mais voltar
Para as velhas roupas da velha moral
O passado banal
Legado nenhum deixou
O rio firmou na cheia
Ele afincou
E raiz criou
Comeu a raiz
Comia sem ressalva
Foi o homem que partiu em busca da sua alma.
Brás Cubas.
Despedida
Despiu-se dos farrapos poucos
Despediu-se dos amigos poucos
Arrendou a verba pouca
E partiu
Foi-se sertão adentro
Buscou alento na seca
Bebeu água com o bode
Rimou rima pobre
Pediu a Deus que a sorte não fosse embora
Despiu-se dos males
Viajou ao longe
Parecia que caminhava nas nuvens a caminho de Marte
Era lunático
O passado nas costas
Parecia traumático
Ele fora embora
Largara a crosta
No caminho não havia como pescar lagosta
Era a terra que virava farinha do sertão
O estômago corroía
O bucho dizia
Volta meu irmão
Despediu-se da casa de barro
Era a fotografia do passado
No caminho encontrou aves de rapina
Com elas dividiu a carniça
E a caminhar continuou
Era o homem sem berço
Era o sertanejo buscando água
O cacto já não dava
Caia de sua boca o último farelo de pão
O sertanejo não voltara
Para ele o passado era nada
E o futuro era a terra seca
Um dia plantará seu destino
Ainda que ache apenas um riacho pequenino
Ele é o homem em construção
Segue com a viola
Dela saem trovas
O coelho da cartola
A mágica da insistência
Belo dia
Um rio aparece
Ele bebe e bebe
Mata a sede
Faz do rio sua sede
Cria uma ovelha
E faz na viola
Canções
E faz de si
Seu próprio pastor
Sem nenhum tambor
Também é o seu próprio rebanho
Ele partiu para se achar
Ele partiu para não mais voltar
Para as velhas roupas da velha moral
O passado banal
Legado nenhum deixou
O rio firmou na cheia
Ele afincou
E raiz criou
Comeu a raiz
Comia sem ressalva
Foi o homem que partiu em busca da sua alma.
Brás Cubas.
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