Não!
Não é o divino
Não é o hino
Não é o banal
Não é divinal
Não!
Não sou eu na encosta
Não é a sombra da sogra
Não é a maresia das rochas
Não!
Não é carnaval
Sou eu quando grito
Sou eu teu filho
Pátria minha
Não!
Não é a sucursal
Não é real
É o surreal
Teu sangue na minha veia
O sussurro venal
Não!
Não sou eu que me afirmo
Sou eu que te afirmo
A confusão cerebral
Não!
Não me venhas como quem quer deitar
Estejamos fartos dos fatos consumados
E a fuga é fulgural
Não!
Não me olhes no espelho
Não encare a esfinge
Deixe que o amo realize
O pecado final
Não!
Não respire na surdina
Não abocanhe a felicidade perdida
Não navegue a tormenta divina
Não! Não sejas divinal
Não!
Te esqueças dos gregos
Relembre os teus segredos
E a memória marginal
Não!
Não voltes para mim
Te descubras enfim
No teu madrigal
Não!
Não sonhe meus sonhos
Não dance em frente aos meus olhos risonhos
O passado nem sempre é carnaval
Diga sim ao carnal
Mas não cale o tambor que bate como tal
Não!
Não te revoltes na chuva
Não tenha medo da chuva
O trovão é quase virginal
Não!
Não te escores nas muretas das máscaras
Esses e outros bailes já se foram
Já foram mais fantasia
Não te apegues a minha fantasia
O sonho pode ser demasiado real
Para ti e para mim
Um algo
Um trago
O sal
Não!
Não me venhas com tuas sandices
Não me fale de tuas artimanhas
Já não adentro tuas entranhas
Desde o último beijo arrebol
Não confies neste lençol
Ele mente mal
E não te esconde de mim
Não!
Não chore na chuva
Tuas lágrimas turvas
Não parecem reais
Não!
Não escondas teu rosto
Nosso espelho já quebrou
É como o mais raro cristal
Não!
Não fujas minha vida
Que da tua já fui banido
Eu que era o bandido
Que carregava teu coração no arraial
Digas não às tuas mentiras
Volta pra viver nossa vida
Ainda que desmantelado o cristal
Vamos encontrar outras pedras
Com elas faremos outros tipos de festas
Outro tipo de amor banal.
Brás Cubas.
Um comentário:
## Lindíssimo!! ##
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