Plasmas, plasmas e ectoplasmas
Essa fumaça da sua boca aberta nata
Essas nuances do escuro brilhante
Essa sua reta do queixo eixo quadrado do seu rosto
Estrutura óssea que se vangloria em fotogenia
Esses seus cabelos eirós e caracóis
Querendo formar nuvens no ar
Esse seu rosto me deita sobre a neblina do mar
Esse seu leve tom nobre
Cabeça erguida posta à pompa
Um crânio de Caravaggio
A melindrosa métrica do adágio
Este seu cachaço atropelado pela garganta
A imagem quase que me encanta
E me devora de forma que demora olhar esse teu terno rosto eterno
enquanto canta-me um mantra
Me sobrou a poesia, mas para que quero eu a poesia se esse rosto me basta?
Olhar dos anos cinquenta que apoquenta
Burburinho amante das minhas amásias
De ombros com a natureza amada
A imagem flechada no close
num instante
que encerra essa poesia sem mil palavras.
Brás Cubas.
Adore Noir Magazine.

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