sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eu não sei que flor é essa.

Eu não sei que flor é essa.

regada à seiva bruta
a flor resoluta
abre-se em sua tenacidade efêmera
que demora na retina uma centena e meia

o milênio da chuva curvou-se à bela flor
a minhoca da terra com seus dez corações escutou
minha voz fálica e dulcíssima
o pólen que do biquinho do beija-flor fluía

desmembrada a céu aberto
cada curva da planta se banhava ao sol da estação
cada pétala dava cor e vida ao ambiente
plantada ao pé de um poste de esquina

ela parecia calar os sentimentos mais humanos
o silêncio da não ignorância
a sobriedade da tolerância
e a beleza da puberdade ligeira

eu sei as flores não falam
mas quando as tomamos nas mãos
nossas mãos se enchem de cores
e eu sinto que flores são

eu e nós com nossas mãos embelezadas
a mão da noiva com o bouquet na entrada
o sino da igreja badalava
só o cheiro das flores penetrava

as narinas da gente enfileirada
posta à rima das flores
que em contrição me chamavam

flores minhas vinde à mão minha
vinde à palma
cerne da vida
sejamos mais flores
sejamos mais alforria.

Brás Cubas.

Adore Noir Magazine.


Nenhum comentário: