regada à seiva bruta
a flor resoluta
abre-se em sua tenacidade efêmera
que demora na retina uma centena e meia
o milênio da chuva curvou-se à bela flor
a minhoca da terra com seus dez corações escutou
minha voz fálica e dulcíssima
o pólen que do biquinho do beija-flor fluía
desmembrada a céu aberto
cada curva da planta se banhava ao sol da estação
cada pétala dava cor e vida ao ambiente
plantada ao pé de um poste de esquina
ela parecia calar os sentimentos mais humanos
o silêncio da não ignorância
a sobriedade da tolerância
e a beleza da puberdade ligeira
eu sei as flores não falam
mas quando as tomamos nas mãos
nossas mãos se enchem de cores
e eu sinto que flores são
eu e nós com nossas mãos embelezadas
a mão da noiva com o bouquet na entrada
o sino da igreja badalava
só o cheiro das flores penetrava
as narinas da gente enfileirada
posta à rima das flores
que em contrição me chamavam
flores minhas vinde à mão minha
vinde à palma
cerne da vida
sejamos mais flores
sejamos mais alforria.
Brás Cubas.
Adore Noir Magazine.

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