quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O beijo nebuloso

Tácteis as mãos em nuvem de algodão
Floresceram sobre o crepúsculo
Fazia um nevoeiro no abraço do perdigueiro

Era uma nuvem trovão
Violando o verão
Da terra sentia-se um gosto de frutas e folhas herdes
As ancas da bela musa contorciam-se de maneira lêveda

Os trovadores e cancioneiros do alto abismo do céu
Fustigavam o feno cheio de destemperança
As bocas metonímias senão do corpo em confluência daquelas almas
Sumiam na fumaça do Tempo

O beijo nebuloso
Mais que garboso
Lhe consumiu por inteiro

Mel que provido por falanges do céu
Virou o quartel da santidade de ponta a cabeça
Beijo anárquico e pudico
Quem a sombra beija, beija o próprio narciso.

Brás Cubas.


Antonio Allegri detto il Correggio, Giove e Io, 1530 - 1531 c


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