sentados nos tronos nós os cabeçalhos pensantes
pensando em alhos e bugalhos
e tonterias milhares
galardes os pensamentos movimentos dos milharais
pachorrentos e gosmentos e nojentos
pedaços de carne sangrentos especuladores dos caninos e pré-molares
ai! dos meus ais e dos meus ares
voa a mosca varejeira sobre o parco lixo da lixeira
e o lixão meu amigo é cheio de gado moído
de gente moída
de gente banida
de paisagem prurida
em noturno silencio aturdido
o poeta camarada vai traquinando tranquilo
sobre o aborto e a escopro da ameba
sobre a febre das álgebras
e as numismáticas epilépticas do povo ( o seu vozerio )
e os calhordas ausentes
comem no prato dos patifes sem dentes
e a patota de outrora
que gloria!
dela ruminou-se toda a carne da boiada
eu que demoro seis horas com ela putrefacta
e dentro de mim um ranger de verminoses
Fábio Magalhães
essas mesmas que me comicham as entranhas
a pleura que apanha dos ogros loucos
barulhentos insetos
incidindo sobre a carne já morta
já dilacerada
já destrinchada
e o Urubu-Rei e outros carniceiros
de toda a patrulha dos cangaceiros
me rodeiam
eu sou carne comida
me deixa
me deixa
nem me olhe as vísceras
nem os insetos os quero
nem os bezerrinhos desmamados
querem um alento do meu fêmur
comungo com o mundo da minha potência
do meu livre aval de poder andar
ainda que sobre os esqueletos meus
valham-me todos os ateus
minha cabeça virada
reflete
enquanto eu sonho e divago
sentado ao trono
com a cabeçorra virada ao ladairo
ei-lo indo embora
olhardes com a pressa de um instante que arde
é a minha carne sobre seus olhos em chama
e late como um cachorro que busca o osso desbastado
chupa a cana e o tutano do alfarrábio
oxalá eu tenha um santuário
um bocado de penduricalhos
e memórias
estou pintado nesse quadro por desmando
fui-me como o épico cético claustrofóbico
minimalista
enfim sou o Ópio.
Brás Cubas.
Herb Lubalin


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