Nathalie Cocorullo
Ai! dos meus Ais
palavras soltas perambulando
refugio do escândalo
Sândalo d'almas
permuta escrutinada
parafernália amontoada
Monte e montante
que chove aos montes
enluarada sílaba
mímica da rima
e prima da nota musical
eu que era corriqueiro
pus a mão no formigueiro
só para saber do testa de ferro
de que gado sou brasão
Ai! de minhas retóricas toscas
de minhas palavras ocas
e postas em aglutinação
justamente a posição
é fogo e queima essa brasa
incandescente e vibrante
de muros e murmúrios
d'alma o douto louvor
e a água purificada
já não era mais nada
que o sabor da língua cortada
e as palavras ralhavam comigo
do estômago sôfrego trôpego lustre
onde a luz é um abutre
que descarna a carniça
era eu de preguiça
chupando Mangas Rosas
era um trevo de trovas
um sírio e um terço do preço
o purgatório é agora.
Brás Cubas.

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