A Salamandra deu
para colocar pimentas em boca de poeta. Ela mesma, a Salamandra que dos contos
de fada tece uma teia ao seu povoado, ela - vidente dos arautos e cúmplice dos sacripantas
– lhes vos digo pilantras de plantão: - A Salamandra é o olho do abismo e a
cólera do furacão. É borbulha do coração
no fervilhar das mentes. É, sobretudo e sobre todos o rosto da multidão. É o
discurso diurno enquanto o conluio noturno está exposto na soleira de vossas
portas.
Bandarilha do
Cabaré de nossa santa inquisição e perseguidora de santos atos, a aflita que
media o conflito dos desarmados em busca de ilusão. Ora, olhem as horas! Não vêem
que o tempo já não lhes passa a mão na cabeça e a Salamandra festeira se
regozija em vossa sujeição? Eu que de capataz me faço sua vítima, expus minha
ferida em gratidão, conquanto vedes e acordes a Salamandra já nos pôs sobre as
cabeças sua ampulheta e não haverá um arauto equânime para que todos os
certames se assentem na poeira da translúcida, senil e austera memória.
Vede a hora passa
em passos largos. É que o tempo perde tempo inquirindo vosso abraço de irmão. E
assim o feliz desatino fez do menino e da vida somente um eco no horizonte. De
antemão, lhes digo de peito sincero que a Salamandra vai-se embora em qualquer
dia dessas horas que lhes passam de mão em mão.
Preciso de outro
parágrafo para lhes parafrasear que também lhes passe de mãos em mãos o pão fabricado
por vossas mãos. E vos desejo o que almejo e vos desejo Salamandra e mansidão.
Brás Cubas.
Brás Cubas.

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