As quinze línguas sabaticas.
1- A língua de Eros.
I
Sois o mar dos meus olhos.
Sois o sol poente do Oriente.
Sois a beleza inexequível.
Sois a flecha do cupido.
Sois o irascível.
II
Sois minh'alma em cadência.
Sois o eu lírico em forte evidência.
Sois o falastrão da retórica.
Sois, de Platão, a memória.
Sois a volúpia inglória.
III
Sois o olhar onírico.
Por mil deuses e mil e uma vezes.
Sois o colírio de Narciso.
Sois amasiado com o orvalho.
Inda que sejas apenas um lacaio.
Tupinambá, o poliglota.
2- A língua das mães.
I
Sois meu ventre.
Sois meu sangue.
Sois meu parto.
Sois meu halo.
II
Sois meu mangue.
Sois minha lama.
Sois minha chama.
Sois minha luz.
Sois minha cruz.
III
Sois meu afeto.
Sois meu Complexo de Edipo.
Sois épico.
Sois eufórico.
Sois a chama do fósforo.
Tupinambá, o poliglota.
3- A língua das sogras.
I
Sois ferina.
Sois felina.
Sois ferrenha.
Sois lenha.
Sois a Medéia.
II
Sois o climaterio.
Sois a Primavera.
Sois mãe de alguém.
Sois filha de Maria ninguém.
Sois aquela que diz amém.
III
Sois a lembrancinha da infância.
Deveras ja fostes criança.
Sois aquela da pajelanca.
Sois quimera e esperança.
Sois milimetricamente a ponta da lança.
Tupinambá, o poliglota.
4- A língua do pecado.
I
Atabalhoada ganância.
Escrevo-LHE esta carta ganância
Para que voes.
Pois sois minha ânsia.
Sois meu vomitorium.
II
Sois meu dormitório e meu circunloquio.
Sois o sono e o sonho.
Sois o Santo e a sanha.
Sois o rei e a rainha.
Sois a guilhotina.
III
Sois uma pena de galinha.
Sois a renda da saiazinha.
Sois a Senzala e a Casa Grande.
Sois o que pensais.
Já fostes roda-gigante.
Tupinambá, o poliglota.
5- A língua do paraíso.
I
Inda que andasse sozinho.
Inda que velejasse sem o pergaminho.
Inda que tratasse o meu caminho.
Inda que velasse o meu cinismo.
Inda que rasgasse o meu achismo.
II
Inda que a pegada fosse levada pelo mar.
Inda que teus olhos nos meus achassem o amar.
Inda que as folhas secas do Outono caíssem acolá.
Inda que pedregulhos e plantas carnívoras se entrepusessem
Entre nós.
III
Eu e você, paraíso!
Seremos amigos.
Eu e você, paraíso inteligível!
Seremos amigos.
Eu e você, paraíso inteligível!
Seremos canção.
Por fim serenos irmãos.
Tupinambá, o poliglota.
6- A língua das cobras.
I
Sois heroína.
Sois carnificina.
Sois estricnina.
Sois mesmerizada.
Sois pasteurizada.
Sois pior que a língua da vaca.
Sois paradigma.
Sois enigma.
Sois Jibóia.
Sois Sucuri.
Sois Coral.
Sois Cobra d'água.
Sois a Naja.
Sois faca amolada.
Sois fel.
Tupinambá, o poliglota.
7- A língua dos sonhos.
I
Um cordão umbilical.
Um sonho sobrenatural.
Um verbo substantivado.
Um substantivo comum de dois.
O resto é só mais sonho, deixa para depois.
II
Um carinhosinho assim.
Uma casquinha ali.
Um beijinho aqui.
Um ectoplasma.
Uma máscara para Bhaskara.
III
O estreito de Bosforo.
O homem de óculos.
O mundo dormindo.
É eu sonhei contigo.
No sonho eu estava caindo.
Tupinambá, o poliglota.
8- A língua brasileira.
I
Vocês conhecem Policarpo Quaresma?
Ele mesmo!
Aquele!
Ele!
Que falava Tupi!
II
Pleonasmos vicioso.
Evitem a Zeugma.
E corram da Elipse.
Não caíam do caiaque.
Saíam da Cacofonia.
III
Fujam da Anátema.
E rebentam o Anacoluto.
Vistam-se de Preto!
Pois o Brasil.
Esse sim, está de luto!
Tupinambá, o poliglota.
9- A língua estrangeira.
I
Vejam bem! Eu falo a língua Portuguesa!
É a sua?
É minha?
É de quem?
De ninguém?
II
Eu?
Eu?
Eu?
Eu?
Eu?
Egolatras e poliglotas.
Quantos são os verbos anomalos?
E os defectivos?
E as raízes de nossa singular língua
Que vibrem os sofismas!
Tupinambá, o poliglota.
10- A língua dos filósofos.
I
Há de haver uma visão de Santo Agostinho.
Há de haver tudo e nada.
Há de haver o que há.
Há de haver o mais do que aí está.
Há de haver a linha do horizonte.
II
Há de haver o Ocidente.
Há de haver de haver também o transcendental Oriente.
Há de haver coisas fora da intervenção humana.
Há de haver mágica e mistério.
Há de haver mágica e mistério.
Há de haver o que está por detrás do Monte.
III
Há de haver Ghandi.
Há de haver um lugar onde tudo é sacramentado.
Há de haver o que não há.
Há de haver o que está dado.
Há de haver o minuto de silêncio.
Tupinambá, o poliglota.
11- A língua da poetisa.
I
Vai saudade.
Vai embora no clarão.
Que nesta terra.
Relampeja o trovão.
Vai e leva o desamor agora que o amor não se demora.
Tupinambá, o poliglota.
12- A lingua antropofágica.
I
Tupinambá!
Tupi!
Na Beira do Rio!
Solta teu brado!
Do fundo do peito!
Tupinambá, o poliglota.
13- A língua da gula.
I
Framboesa e Umbu-Cajá.
Cerejeira e Morango.
Manga Espada e Pêssego.
Tâmaras Sagradas e Cravo da Índia.
Curcuma e Tomilho.
Tupinambá, o poliglota.
14- A língua da guerra.
I
É necessário um batalhão por terra.
É necessário um navio de guerra.
É necessário um mercenário.
É necessária uma legião.
É necessária a religião.
Tupinambá, o poliglota.
15- A língua da Paz.
I
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
II
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
III
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Tupinambá, o poliglota.
1- A língua de Eros.
I
Sois o mar dos meus olhos.
Sois o sol poente do Oriente.
Sois a beleza inexequível.
Sois a flecha do cupido.
Sois o irascível.
II
Sois minh'alma em cadência.
Sois o eu lírico em forte evidência.
Sois o falastrão da retórica.
Sois, de Platão, a memória.
Sois a volúpia inglória.
III
Sois o olhar onírico.
Por mil deuses e mil e uma vezes.
Sois o colírio de Narciso.
Sois amasiado com o orvalho.
Inda que sejas apenas um lacaio.
Tupinambá, o poliglota.
2- A língua das mães.
I
Sois meu ventre.
Sois meu sangue.
Sois meu parto.
Sois meu halo.
II
Sois meu mangue.
Sois minha lama.
Sois minha chama.
Sois minha luz.
Sois minha cruz.
III
Sois meu afeto.
Sois meu Complexo de Edipo.
Sois épico.
Sois eufórico.
Sois a chama do fósforo.
Tupinambá, o poliglota.
3- A língua das sogras.
I
Sois ferina.
Sois felina.
Sois ferrenha.
Sois lenha.
Sois a Medéia.
II
Sois o climaterio.
Sois a Primavera.
Sois mãe de alguém.
Sois filha de Maria ninguém.
Sois aquela que diz amém.
III
Sois a lembrancinha da infância.
Deveras ja fostes criança.
Sois aquela da pajelanca.
Sois quimera e esperança.
Sois milimetricamente a ponta da lança.
Tupinambá, o poliglota.
4- A língua do pecado.
I
Atabalhoada ganância.
Escrevo-LHE esta carta ganância
Para que voes.
Pois sois minha ânsia.
Sois meu vomitorium.
II
Sois meu dormitório e meu circunloquio.
Sois o sono e o sonho.
Sois o Santo e a sanha.
Sois o rei e a rainha.
Sois a guilhotina.
III
Sois uma pena de galinha.
Sois a renda da saiazinha.
Sois a Senzala e a Casa Grande.
Sois o que pensais.
Já fostes roda-gigante.
Tupinambá, o poliglota.
5- A língua do paraíso.
I
Inda que andasse sozinho.
Inda que velejasse sem o pergaminho.
Inda que tratasse o meu caminho.
Inda que velasse o meu cinismo.
Inda que rasgasse o meu achismo.
II
Inda que a pegada fosse levada pelo mar.
Inda que teus olhos nos meus achassem o amar.
Inda que as folhas secas do Outono caíssem acolá.
Inda que pedregulhos e plantas carnívoras se entrepusessem
Entre nós.
III
Eu e você, paraíso!
Seremos amigos.
Eu e você, paraíso inteligível!
Seremos amigos.
Eu e você, paraíso inteligível!
Seremos canção.
Por fim serenos irmãos.
Tupinambá, o poliglota.
6- A língua das cobras.
I
Sois heroína.
Sois carnificina.
Sois estricnina.
Sois mesmerizada.
Sois pasteurizada.
Sois pior que a língua da vaca.
Sois paradigma.
Sois enigma.
Sois Jibóia.
Sois Sucuri.
Sois Coral.
Sois Cobra d'água.
Sois a Naja.
Sois faca amolada.
Sois fel.
Tupinambá, o poliglota.
7- A língua dos sonhos.
I
Um cordão umbilical.
Um sonho sobrenatural.
Um verbo substantivado.
Um substantivo comum de dois.
O resto é só mais sonho, deixa para depois.
II
Um carinhosinho assim.
Uma casquinha ali.
Um beijinho aqui.
Um ectoplasma.
Uma máscara para Bhaskara.
III
O estreito de Bosforo.
O homem de óculos.
O mundo dormindo.
É eu sonhei contigo.
No sonho eu estava caindo.
Tupinambá, o poliglota.
8- A língua brasileira.
I
Vocês conhecem Policarpo Quaresma?
Ele mesmo!
Aquele!
Ele!
Que falava Tupi!
II
Pleonasmos vicioso.
Evitem a Zeugma.
E corram da Elipse.
Não caíam do caiaque.
Saíam da Cacofonia.
III
Fujam da Anátema.
E rebentam o Anacoluto.
Vistam-se de Preto!
Pois o Brasil.
Esse sim, está de luto!
Tupinambá, o poliglota.
9- A língua estrangeira.
I
Vejam bem! Eu falo a língua Portuguesa!
É a sua?
É minha?
É de quem?
De ninguém?
II
Eu?
Eu?
Eu?
Eu?
Eu?
Egolatras e poliglotas.
Quantos são os verbos anomalos?
E os defectivos?
E as raízes de nossa singular língua
Que vibrem os sofismas!
Tupinambá, o poliglota.
10- A língua dos filósofos.
I
Há de haver uma visão de Santo Agostinho.
Há de haver tudo e nada.
Há de haver o que há.
Há de haver o mais do que aí está.
Há de haver a linha do horizonte.
II
Há de haver o Ocidente.
Há de haver de haver também o transcendental Oriente.
Há de haver coisas fora da intervenção humana.
Há de haver mágica e mistério.
Há de haver mágica e mistério.
Há de haver o que está por detrás do Monte.
III
Há de haver Ghandi.
Há de haver um lugar onde tudo é sacramentado.
Há de haver o que não há.
Há de haver o que está dado.
Há de haver o minuto de silêncio.
Tupinambá, o poliglota.
11- A língua da poetisa.
I
Vai saudade.
Vai embora no clarão.
Que nesta terra.
Relampeja o trovão.
Vai e leva o desamor agora que o amor não se demora.
Tupinambá, o poliglota.
12- A lingua antropofágica.
I
Tupinambá!
Tupi!
Na Beira do Rio!
Solta teu brado!
Do fundo do peito!
Tupinambá, o poliglota.
13- A língua da gula.
I
Framboesa e Umbu-Cajá.
Cerejeira e Morango.
Manga Espada e Pêssego.
Tâmaras Sagradas e Cravo da Índia.
Curcuma e Tomilho.
Tupinambá, o poliglota.
14- A língua da guerra.
I
É necessário um batalhão por terra.
É necessário um navio de guerra.
É necessário um mercenário.
É necessária uma legião.
É necessária a religião.
Tupinambá, o poliglota.
15- A língua da Paz.
I
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
II
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
III
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Paz ou Zeus? Adeus!
Tupinambá, o poliglota.
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