sábado, 1 de setembro de 2012

Caderno

Meu caderno é onde me abraço
No forte braço
Amo, calo, suspiro e ardo
Os versos me suplementam
As batidas aumentam

Caderno além mar
Lindo
Inerte a decadência
de qualquer Ciência
Buscando alguma verdade
No burburinho da cidade

O mundo no papel em branco
Não há nada mais terrível que a folha
O papel em branco
Não há nada mais assustador
E escrever é santo remédio contra o tédio
Para acalmar qualquer dor

Caderno, folha, caderno
Paletó, gravata, bravata, terno
Tipo de escritor concreto
Tipo de poetisa que busca no abstrato
A concretude do fato

Fala alto no alto falante
Grita, berra, esperneia, no seio da ama anseia
O desejo de expressão
A vontade de ilusão
Potência d'alma
Açúcar que acalma
Revela o que aclama
O desejo de quem samba
A branca folha no caderno branco do poeta queima sua alma em chamas.

Brás Cubas.

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