Ela é lavadeira
Ela é arrumadeira
Na casa dos outros trabalha
Com a língua malha a vida alheia
Ela usa o aspirador
Ela usa a enceradeira
Mas o melhor instrumento de trabalho
É sempre falar da vida alheia
De um patrão para o outro ela conta
Na luz da candeia
É contadora de estórias
Aumenta mas não mente
Sente e pressente a vontade alheia
Gosta do fogo na fogueira
Fala pelos cotovelos
Quando os gatos não estão
Toma banho de banheira.
Brás Cubas.
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