quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ainda que na cabeça dos homens

Ainda que as cabeças dos homens chocalhem por ideologias falsas
Entrementes por estradas não iluminadas
Ainda que o pensamento nau naufrague em mares de águas calmas
Por entre as ondas atormentadas do mar sagrado
O profano será declarado inusitado
Ainda que o vento sopre por toda a cidade
Ainda que o revolto oceano esbraveje a miséria humana
Ainda que toda a gente tente calar suas próprias incertezas
Ainda que os poetas malditos roguem por outras belezas
Ainda que o povo pense no amanhã sem alvorecer
Ainda que as cabeças dos homens sejam alucinadas
Ainda que a construção d'alma não esteja terminada
Ainda que a análise da vida seja esboço
Ainda que o impropério seja o alçapão
Ainda que não haja água no poço
Ainda que seque a terra nordestina
Ainda que esvoace a saia da menina
Ainda que toda a vontade seja desmilinguida
A alma cantará
No canto do sabia
Assim vão despertar
A mulher banida
O homem observado
O cavalo selado
Partirão para a relva numa cavalgada bela
O poeta transviado e seu povo aclamado.


Brás Cubas.

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