terça-feira, 18 de novembro de 2014

O aval do artista

O aval do artista

Ele não me permitiu
Ele nas dunas sumiu
Fumando um cigarro
Deu mais de mil tragos
Eu que lhes trago
Essa fantasia em forma rítmica
Eu que danço com a bailarina
Eu que me afogo no teu ombro
Engulo o teu soluço e choro
Sou o vento que sopra no mar
Ele, o artista já não me quer cantar canções de ninar
Eu que sou ligeiro
Perdi o pincel
Vendi teu anel d'ouro

Minhas mãos correm por teu corpo
Meu sangue borbulha dentro do teu
Ai por deus chama a Amália
E a maresia
De braços dados com a poesia
Venha minha
Venha menina
Sou tua sina
Vamos badalar os sinos das igrejas góticas
Vamos derrubar com Derrida as retóricas
Vem viajar no meu mundo comigo juntinho
Assim como quando fazes beicinho
Te passo a mão pelos cabelos
Vou só te fazer carinho
Não te afastes de mim
Esse jazz que coloquei na vitrola 
E o vinho tinto na mesa
São oferta para sua poética beleza
Vem comigo
Lá pras bandas da Ponte de São Francisco.

Brás Cubas.

Edgar Degas.




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