Se a vida fosse o amor
O amor nasceria da dor
E se o mundo, num devaneio, fosse perfeito
Todos teriam os mesmos direitos
E se a morte voltasse
Pra avisar que estamos vivos
Seriamos pura alma, puro espírito
Se a fome de tudo de nada doesse
E assim se pudéssemos não procurássemos
Mais do que comermos
Porque se o lirismo da poesia enchesse barriga
A ideologia não existiria
Se nada fosse falado
Não interpretaríamos os fatos
Se a lei fosse de acordo com as minhas normas
Não existiriam as sogras
Se o trabalho engrandece o homem
Por que o contra cheque não corresponde?
Se a lua clareasse mais claro
O mel seria mais afável
E no fel do brado súbito
Mamutes murmuram seu temor último
Subitamente o grito em busca do infinito
Oh o gozo como é lindo!
No meu ombro tu choras
E no meu colo
No musculo do osso
Tu te consolas
Dormes em berço esplêndido
Sem o mínimo receio
Mas pra pensar em nós mesmos
Voltemos ao meio, ou o fim ou o começo
Se na África não tivesse o ouro
Portugueses Lusíadas
Arrancariam o nosso couro?
Enfim se...?
Brás Cubas.
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