segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Piedade

Tive um dia que viajar
E no revolto mar
Vi nas suas ancas nosso lar
Turbilhão da vida a borbulhar
Nos fazendo infância criança
Nos perplexos olhos salamandra
Essa pureza
Na densidade negra pilantra
Fidalgos sacripantas
Nos achamos no fundo
Da dor mártir do mundo
O tempo é vertente do vento
O vento leva tudo
Arrasta com as ondas do mar fecundo
O vento
Um menino sombrio
Na piedade caminho
Já não queremos fazer parte disso
Será?
Mesmo assim queríamos tudo diferente
Dos estilhaços ideológicos encravados em nossa mente
O ciúme é um grande demente
Mas é crente que vence
e esse tal ciúme quem não sente?
Na medida certa
Somos vazios corpos celestes nesse vazio espaço?
O global é tão real e frio
Nesse global
Somos mendigos humanos
Humano, o sempre demasiadamente humano
Só porque de carne somos
Sangue osso pele carne musculo osso dente cérebro
Mas quando nos vamos
Há vários de nós sem um toco de vela
Em todos os cantos.
Cantemos um cântico!
O blues da piedade na verdade
Pode ser um canto gregoriano

Brás Cubas.

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