Pedaço que falta a carne
Navalha que corta
O corte queima que arde
O glóbulo que coagula
A goela que engula
Tanto martírio
Mas que suplício
De dor
Mas que dor doida
Mas que presença fecunda
Mas que ausência sozinha
Que solidão saudade
Que arte que inspira
Que droga revela
O temor da espera
Que espera temida
Que tremor de horror
Que espanto de santo
Que santo é esse?
Que ausência é essa
Que a presença não chega
Vem sempre a ausência
Atrás da consciência
Com alguma dormência
Nos lábios vermelhos
Carmim cor de sangue
Ausência, ausência, ausência
Ausência minha.
Brás Cubas.
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