segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Fogo

Ao seu lado queimo seu eu e tua pele fogosa
Crio teus lábios e céu da boca que me afoga
Queimo o meu desejo
O desejo
Sinto o suave lance dos teus olhos
Supero o medo e trêmulo chego ao êxito
E tu rogas
E pelo que há de ser nesta cama tu me olhas
Com os olhos do prazer
E no vil lençol encobres as horas
Pétalas de rosas beijam o seu peito clássico
E envolvem tuas coxas
Seu eu está despido dos empecilhos afora
E aqui, agora, outrora no deleite de gozar o melhor
Que é ter você ao lado de frente ou de costas
E o seu suor
A brisa que bate na janela
Revela
Espera
O desejo
Emparelhando seus gemidos aos meus pelos
Não há remédio contra. Não há melhor conselheiro
O desejo
Nossas mãos fazem o desenho das ondas indecentes
Na hora da chama tu me chamas
E rogas e clamas e choras
Ver-te é delírio dos Deuses
Nossa profana vida carnal
É um eterno baile de carnaval
Onde de tudo e sobre isso tudo, somos ainda leigos
Ao que conhecíamos
Antes de nos amarmos pleito do leito
O desejo
Impiedoso roubo a última gota do teu néctar e tu me afrontas
Nos delírios mil que de prazer hei de viver
Na entranha dos nossos acasos
Na força de nossas almas amantes e perigosas
Terminando-se de prazer no fogo
Louco, ilícito, transgressor o teu calor meigo
Arrepia meu corpo com teu calor excitante
O desejo
Olho tua face de meliante diante ao querer
E possuir-te no escuro ou claro
Tê-lo presente é raro
Único e eloquente
O desejo
Por onde passares sentirás o prazer do teu meu corpo no teu
Um abraço faceiro e indiscutível
Porque me matas de prazer no sonho de cada anoitecer.

Brás Cubas.

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